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Japão tem novo imperador a partir desta terça; veja como serão as cerimônias

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Publicado em MUNDO
Segunda, 29 Abril 2019 11:33
O imperador Akihito (à direita) acena para admiradores durante a aparição pública de Ano Novo, no dia 2 de janeiro. O príncipe Naruhito, que aparece à esquerda na foto, assume o trono no dia 1º de maio, dando início à nova era imperial - a Reiwa. O imperador Akihito (à direita) acena para admiradores durante a aparição pública de Ano Novo, no dia 2 de janeiro. O príncipe Naruhito, que aparece à esquerda na foto, assume o trono no dia 1º de maio, dando início à nova era imperial - a Reiwa. Foto: Eugene Hoshiko/AP

O imperador Akihito, de 85 anos, vai abdicar do trono em favor do filho, Naruhito. É a primeira vez que um monarca deixa o posto ainda em vida em dois séculos de história do país. Para a cerimônia de agradecimento, em novembro, o governo gastou cerca de R$ 95 milhões.

A abdicação do imperador Akihito na terça-feira (30), uma das várias cerimônias que marcam a transição para seu sucessor, o príncipe Naruhito, será um evento breve, relativamente simples e raro: é a primeira vez que um monarca do Japão deixa o trono em 202 anos de história do país.

Naruhito, de 59 anos, se tornará imperador no dia seguinte, mas seu entronamento formal será feito em uma cerimônia mais elaborada, em outubro, para a qual estão convidados vários dignitários estrangeiros de 200 países. A era imperial dele se chamará Reiwa, uma junção das palavras "ordem" e "harmonia".

Veja quais serão as cerimônias que vão marcar a transição imperial, segundo a agência de notícias Reuters:

30 de abril: cerimônia de abdicação

Horário: 17h até 17h10, no horário local; 5h até 5h10 no horário de Brasília

O Palácio Imperial do Japão ficava, até 1868, em Kyoto, que era a capital imperial. Com o advento da era Meiji, Tóquio voltou a ser capital imperial. — Foto: Diana Yukari/Arte G1

O Palácio Imperial do Japão ficava, até 1868, em Kyoto, que era a capital imperial. Com o advento da era Meiji, Tóquio voltou a ser capital imperial.

Foto: Diana Yukari/Arte G1

A cerimônia será realizada no "Matsu no ma" do Palácio Imperial, ou "Salão de Pinho", conhecido por seu piso de madeira polida e considerado o cômodo de maior prestígio do palácio. Cerca de 300 pessoas participarão do evento, que será transmitido ao vivo pela televisão nacional.
Os camareiros imperiais carregam os selos estatais e privados para o salão, junto com dois dos "Três Tesouros Sagrados" do Japão – uma espada e uma joia – que, junto com um espelho, são símbolos do trono. Diz-se que eles são originários da mitologia antiga.

A espada — representando uma que está guardada em um santuário no centro do Japão — e a joia estão fechadas em caixas. O espelho é mantido no Grande Santuário Ise, o mais sagrado local do Xintoísmo (ou Shinto) no Japão.

Na foto, de 1990, o imperador Akihito visita o Grande Santuário de Ise em uma carruagem. — Foto: Toshifumi Kitamura/ AFP

Na foto, de 1990, o imperador Akihito visita o Grande Santuário de Ise em uma carruagem.

Foto: Toshifumi Kitamura/ AFP

O primeiro-ministro, Shinzo Abe, anunciará a abdicação. Logo em seguida, Akihito fará uma declaração final como imperador. A atual imperadora, Michiko, o príncipe Naruhito e a princesa herdeira, Masako, comparecerão ao anúncio, junto com os líderes das duas casas do parlamento japonês e dos juízes da Suprema Corte.

1º de maio: Transferência de objetos imperiais

Horário: 10h30 até 10h40, no horário local; 22h30 até 22h40, no horário de Brasília, do dia 30 de abril

Este é o primeiro estágio da ascensão de Naruhito ao trono. Os camareiros colocarão os selos, a espada e a joia em mesas diante do novo imperador, como prova de sua legítima sucessão.

A monarquia japonesa tem 2 mil anos. — Foto: Diana Yukari/Arte G1

A monarquia japonesa tem 2 mil anos.

Foto: Diana Yukari/Arte G1

A cerimônia é observada por um pequeno grupo que inclui a realeza masculina adulta e representantes dos três ramos do governo, incluindo Abe e seu gabinete. Akihito Michiko não estarão presentes. A cerimônia não é aberta à realeza feminina, mas Satsuki Katayama, a única ministra do gabinete de Abe, será a primeira mulher da história moderna a comparecer.

Naruhito usará um fraque ocidental. Akihito usava um casaco leve, matinal, quando se tornou imperador, em janeiro de 1989.

Horário: 11h10 até 11h20, no horário local; 23h10 até 23h20, no horário de Brasília, do dia 30 de abril

Imperador do Japão Akihito reaparece para festejar aniversário ao lado do príncipe herdeiro Naruhito (à esquerda) e a imperatriz Michiko no Palácio Imperial em Tóquio — Foto: Toshifumi Kitamura / AFP Photo

Imperador do Japão Akihito reaparece para festejar aniversário ao lado do príncipe herdeiro Naruhito (à esquerda) e a imperatriz Michiko no Palácio Imperial em Tóquio

Foto: Toshifumi Kitamura / AFP Photo

Pouco depois, Naruhito fará suas primeiras declarações públicas como imperador no “Matsu no Ma” – que podem oferecer pistas sobre seus objetivos ou esperanças de seu reinado, segundo a Reuters. Em 1989, Akihito se comprometeu a proteger a constituição e cumprir suas obrigações. Ele também expressou suas esperanças de prosperidade nacional, paz global e bem-estar da humanidade.

Na cerimônia, o primeiro-ministro, Shinzo Abe, falará como representante do povo japonês. A nova imperadora, Masako, e outros membros da família real estarão presentes, junto com representantes dos três poderes do governo e seus cônjuges.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, faz pronunciamento enquanto o nome da nova era imperial, Reiwa, é anunciado em Tóquio, no dia primeiro de abril. — Foto: AP Photo/Eugene Hoshiko

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, faz pronunciamento enquanto o nome da nova era imperial, Reiwa, é anunciado em Tóquio, no dia primeiro de abril.

Foto: AP Photo/Eugene Hoshiko

Para especialistas ouvidos pelo G1, o novo imperador do Japão deve manter o mesmo tom conciliador usado pelo pai — que ficou conhecido, em seus 30 anos de reinado, como alguém benevolente e que ofereceu conforto à população em momentos difíceis.

“Naruhito deve manter o discurso de diálogo. Ele é de evitar polêmicas. Sempre se dedicou mais ao campo acadêmico, é pesquisador, se dedica a palestras, aulas na universidade. Para o mercado japonês, é excelente. Não poderiam querer melhor — ele não deve entrar muito em conflito com o primeiro-ministro”, avalia Jonathan Portela, mestre em história contemporânea pela Universidade Federal de São Paulo.

Da esquerda para a direita, o príncipe Naruhito, o imperador Akihito e o falecido imperador Hirohito acenam para a multidão no Ano Novo, nos anos de 2019, 2011 e 1986, respectivamente. — Foto: Kazuhiro Nogi, AFP, Junji Kurokawa/AFP

Da esquerda para a direita, o príncipe Naruhito, o imperador Akihito e o falecido imperador Hirohito acenam para a multidão no Ano Novo, nos anos de 2019, 2011 e 1986, respectivamente.

Foto: Kazuhiro Nogi, AFP, Junji Kurokawa/AFP

Para a japanóloga Carol Gluck, da Universidade de Columbia, em Nova York, Naruhito não tem carisma — mas o pai, quando subiu ao trono, também não tinha.

"Ele é gentil. Quando Akihito assumiu o trono, em 1989, ele também era gentil e estudioso. Essa nunca foi uma posição carismática. Não é a família real inglesa, não tem a qualidade carismática da Rainha Elizabeth. Ele parece ser um homem realmente decente, e eu o respeito muito por ser tão gentil com a esposa", avalia Carol.

Por um longo período, a princesa Masako, próxima imperadora, ficou sem aparecer em público por transtornos mentais relacionados a estresse, conforme descrito pela casa imperial.

4 de maio: O novo casal imperial cumprimenta simpatizantes no palácio, em Tóquio

O próximo casal imperial do Japão, Naruhito e Masako. — Foto: Toshifumi Kitamura/ POOL / AFP

O próximo casal imperial do Japão, Naruhito e Masako.

Foto: Toshifumi Kitamura/ POOL / AFP

Naruhito Masako fazem sua primeira aparição pública, cumprimentando simpatizantes reunidos no Palácio Imperial. Eles aparecerão seis vezes durante o dia, a partir das 10h da manhã (22h no horário de Brasília, no dia 3).

Espera-se que várias pessoas apareçam, porque o evento ocorre duranteum feriado de dez dias decretado por causa da mudança imperial.Em 1990, mais de 100 mil pessoas se reuniram para ver Akihito e Michiko, diz a Reuters.

22 de outubro: Cerimônia de entronamento

O imperador Akihito, com vestimenta cerimonial completa, antes de ser entronado em Tóquio. Ele reina desde 1989. — Foto: Handout / IMPERIAL HOUSEHOLD AGENCY / AFP

O imperador Akihito, com vestimenta cerimonial completa, antes de ser entronado em Tóquio. Ele reina desde 1989.

Foto: Handout / IMPERIAL HOUSEHOLD AGENCY / AFP

Naruhito proclama sua ascensão ao trono em uma cerimônia a que compareceram dignitários de quase 200 países. Como seu pai fez, espera-se que o novo imperador use uma túnica e touca tradicionais.

Ele vai entrar no "Takamikura" — um pavilhão de 6,5 metros de altura que pesa cerca de 8 toneladas — e sentar, brevemente, em uma cadeira almofadada com um assento feito de palha de tatame.

Naruhito então se levanta enquanto as cortinas do pavilhão são abertas e declara sua sucessão ao mundo. Na cerimônia de seu pai, em 1990, o príncipe Charles e a princesa Diana, além do vice-presidente dos EUA, Dan Quayle, estiveram entre as 2,2 mil pessoas que compareceram.

Depois, casal real sairá em uma limusine Toyota Century, aberta, através do centro de Tóquio. Cerca de 120 mil pessoas, muitas agitando bandeiras nacionais, compareceram ao longo da rota, em 1990, para aplaudir Akihito e Michiko, enquanto passavam em um Rolls-Royce Corniche III.

14 e 15 de novembro: Grande Cerimônia do Agradecimento
 
O príncipe Naruhito, a princesa Masako e a filha do casal, a princesa Aiko, em uma foto de 2002. Pela lei imperial japonesa, Aiko, por ser menina, não pode ascender ao trono. — Foto: Yoshikazu Tsuno/AFP
 

O príncipe Naruhito, a princesa Masako e a filha do casal, a princesa Aiko, em uma foto de 2002. Pela lei imperial japonesa, Aiko, por ser menina, não pode ascender ao trono.

Foto: Yoshikazu Tsuno/AFP

Naruhito oferecerá arroz recém-colhido e saquê a ancestrais e divindades imperiais, e comerá deles enquanto reza por colheitas abundantes e paz nacional.

O governo destinou 2,7 bilhões de ienes (cerca de R$ 95 milhões) para a cerimônia, incluindo os custos para construir salas temporárias no Palácio Imperial para a ocasião — embora tenha havido controvérsia sobre a constitucionalidade de o Estado financiar o evento, que envolve fortes elementos religiosos.

Por Lara Pinheiro

G1

g1.globo.com

gmg9.com.br

 

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